Resenha: Princesa Consorte Chu (Chu wangfei), por Ning Er

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Título: Princesa Consorte Chu ( 楚王妃na língua original, Chu Wangfei em inglês – eles usaram o termo em chinês mesmo…)

Autor: Ning Er (宁儿)

Língua lida: Inglês. Passou por vários tradutores, atualmente está sendo traduzida pela novelsreborn. No site deles, tem os links para todos os capítulos traduzidos por eles e pelos outros tradutores. Também pode se guiar pela novelupdate.

Tem em português: não tem, duvido que traduzam por um motivo que irei falar. É uma indicação para a turma do inglês

Sinopse em português traduzido por mim:

Ela, a filha do primeiro ministro, era tímida e covarde. Por causa do término do seu noivado, e da sua reputação ser arruinada, ela foi obrigada a derramar o seu próprio sangue no saguão do palácio! Mais uma vez abrindo os olhos dela, a covardia desapareceu, foi substituída pela frieza, fazendo que os outros se sintam intimidados a primeira vista. Ninguém ainda percebeu, ela não era mais ela.

A única coisa que você precisa saber desse livro: o melhor time travel com personagem principal feminino que já li! Ganha de Outlander por pouco, mas ganha!

Sabe aquela indicação de leitura perfeita para o final de semana?

Não é essa. Não mesmo. Você não vai chegar nem perto de terminar o começo dessa história lendo o final de semana inteiro, e estou incluindo sexta-feira à noite nessa conta. Princesa Consorte Chu não é um livro pequeno.

Tenho o costume de copiar os capítulos para um arquivo do word para ler no meu Kindle (para ler minha opinião sobre o aparelho, clique aqui). Sim, eu faço isso capítulo por capítulo, e não aconselho ninguém a pegar alguns .epub e .pdf que existem na internet, já que nenhum deles são oficiais. Caso não saibam, os tradutores são “voluntários”, e ganham sua comissão através de propaganda lida e de doação, por isso acessar os seus sites é importante. E também não vá para sites piratas… De qualquer maneira, esse foi o primeiro livro que fui obrigada a fazer um novo arquivo, já que demorava muito para abrir e converter. Nele só tinha 85 capítulos… e 1107 páginas! E fui obrigada a fazer a mesma coisa, mas dessa vez foi mais light, do capítulo 86 até o 108 tem só 584 páginas… No momento em que escrevo a tradução não chegou nem na metade, está no capítulo 120, mas o meu terceiro arquivo tem 302 páginas! Suponho que o livro passará de 3000 páginas com facilidade.

(Até por isso talvez algumas vezes nessa resenha eu posso me confundir com o enredo de outros livros, tenho certeza que escrevi algumas coisas de To Be A Virtuous Wife)

É por isso que esse livro jamais será traduzido para o português, e não é de se espantar que tantos tradutores abandonaram no meio do caminho. É muuuuito grande a história. Mas vale a pena ler.

Pro que? Porque é a melhor história de viagem ao tempo (time travel) do presente para o passado que eu já li.

Para quem não sabe, sou uma escritora (não uma das melhora, não uma das mais famosas, mas… nada!), e viagem ao tempo é uma grande questão para mim. Meu sonho é escrever um livro com esse tema, mas deve ser especial. Não importa o enredo que crio, nunca estou satisfeita, não importa o quanto eu me imagine boa, eu não creio que eu esteja pronta para escrever ainda. Eu vejo como uma pessoa no presente se encontra no passado, e as caracterizações desses dois tempos deve ser dominado pelo autor para conseguir fazer uma viagem ao tempo. Sendo assim, eu sou extremamente rigorosa na hora de ler um livro desse gênero.

Sem citar nomes, mas sendo óbvia, eu odiei o romance brasileiro mais popular da atualidade desse gênero por causa disso. Na realidade, meu sentimento está além do ódio…

Já Ning Er arrasou nesse quesito. Mesmo que a história se passe em um império fictício baseados na China antiga, você sente que a história se passa na China antiga. Os valores, os costumes, os lugares, as situações, os valores… é difícil ver a autora errar em um desses itens. Ainda mais que não temos elementos fantásticos (se bem que é uma viagem ao tempo…), o cenário é realista.

Por isso, se você é aquela pessoa que tem problemas com uma história no qual “o homem trabalha e a mulher fica em casa” é normal e não vai ser questionado, acha que as mulheres eram umas pobres coitadas, essa história não é para você. Agora, se você quiser ler sobre como era realmente o poder doméstico e a sua verdadeira proporção, é uma boa indicação. Essa é uma história de uma mulher na antiguidade que é fodona!

A história começa com capítulos pequenos e enganosos sobre Yun Qian Meng, a filha legítima do primeiro ministro, que teve o seu noivado rompido pelo príncipe Chen, que é irmão do atual imperador. Como um noivado rompido sigficava que ela não era boa o suficiente para se casar, sua reputação estava arruinada.

Agora uma aulinha sobre “coisas chinesas antigas”. Existiam as esposas e as concubinas. Só a esposa é considerada como a que teve o casamento com o seu marido, uma concubina é considerada como uma serva, mas com um status extremamente elevado. Os filhos que o homem tem com essas mulheres seguem essa mesma lógica: os filhos com a esposa esposa (que tem o título de di) são considerados como os filhos legítimos, já os com as concubinas (que tem o título de shu) não são tidos como legítimos, mas também não são bastardos, ficando num meio termo.

Yun Qian Meng é a única filha di de um homem importante, então ela deveria ter um statos muito elevado, o suficiente para que mesmo que não queira o casamento, um príncipe não possa recusar. Só que a vida dela é uma merda! Sua mãe morreu no parto e o seu pai não se interessava por ela. A concubina favorita, Su Quing, possuía o poder de administrar a casa e a negligenciava a favor de sua própria filha, Yun Ruo Xue. Mesmo morando em uma mansão, morava em um aposento caindo aos pedados e faltava coisas básicas, como comida. Foi impedida de ter uma educação para aprender a ser uma esposa. Assim, ela era uma filha di só de nome, não é à toa que o príncipe Chen queria romper o seu noivado com ela, não seria uma princesa consorte que ele desejaria ter. E por causa desse término, Yun Qian Meng se suicida.

Só que ela revive logo em seguida, mas não é a Yun Qian Meng. Seu corpo é habitado pela alma de uma mulher dos tempos modernos, que até o momento não temos muitas informações sobre sua identidade, só que trabalhava como detetive/investigadora/alguma coisa assim na polícia. E suas atitudes são diferentes daquelas do passado. Já não era uma pobre coitada, agora ela sabia se defender. Não, Yun Qian Meng não luta, e sim é inteligente e perspicaz. Aceita o término do noivado e volta para casa de cabeça erguida.

A história desse livro é sobre como Yun Qian Meng permanece viva e bem, e também faz o mesmo para aqueles que ela gosta. Após o término do noivado, a primeira coisa que fez foi apontar que ela é uma filha di. Yun Ruo Xue, mesmo sendo uma filha shu, sempre foi a favorita e mimada, vista nos meios sociais como “a filha do primeiro ministro” pela sua irmã não poder sair de casa. Para ridicularizar Yun Qian Meng, fez um comentário maldoso, porém ao invés de se reprimir, a heroína a repreende usando sua identidade de filha di. Segundo a hierarquia, uma filha di é aquela que é legítima, com virtudes superioras a uma filha shu, por isso nunca poderia a repreender. Como um eunuco do palácio estava presente, o pai foi obrigado a castigar sua filha favorita.

Por isso mesmo eu não ligo esse livro com um enredo sobre vingança, já que nenhuma ação dela foi feita intencionalmente para machucar alguém, e sim rebater ameaças. Entenda, o bem estar dela significa a queda de um bocado de pessoas. Yun Ruo Xue é shu, mas vive uma vida de filha di. Com Yun Qian Meng se estabelecendo como di, ela perderia toda a influência social que conquistou com anos, além de que seria repreendida por não agir de acordo com seus status. Para alguém tão mimada como ela, isso é horrível. O seu marido também não seria um homem tão importante quanto o que ela queria. Tendo só uma filha, Su Quing precisa que ela se case bem para garantir o próprio futuro, com ela não conseguindo se tornar a esposa mesmo que seu marido a ame. Elas tem que fazer com que Yun Qian Meng afunde, se não elas afundam. E já adiantando o enredo, Su Quing e o primeiro ministro tem motivos verdadeiros para que Yun Qian Meng não seja ouvida, coisas ligadas a crimes.

Isso é só um exemplo, a história é enorme e cheia de personagens e intrigas. Já tem mais de 1500 páginas…

Creio que um ponto alto dessa história é o tamanho. É muuuuito grande, mas não acontece muito, mas tudo é bem desenvolvido. O ritmo é lento, cheio de detalhes e sem nenhuma pressa para terminar algo. É uma leitura que não cansa, que você fica surpreso por ver a quantidade de páginas que leu e a pouca quantidade de coisas que aconteceram. Faz com que mesmo que tenha muitos personagens, você consiga saber quem é quem, conhecer cada um, gostar ou não deles. De novo, não se engane com o começo.

Em um todo, eu não classificaria esse livro como um romance, muito por uma questão de ritmo. A autora não apressou para que ocorresse um amor a primeira vista, para que houvesse uma quantidade alta de interações entre eles. Yun Qian Meng é uma mulher do futuro, mas que tem que viver como no passado e seguir as regras da sociedade,e há uma separação física dos sexos. Só que ela e seu interesse amoroso são à frente de seus tempos, e quebram muitas regras, mas nada revolucionário, ou que alguém saiba. E Chu Fei Yang é um dos melhores personagens da história. E ele não tem ligação com a família imperial, é que homens fora dessa família podem ter o título de príncipe (wang) na China antiga.

Tenho um problema com o título. Yun Qian Meng e Chu Fei Yang só se envolvem depois de muitos capítulos (e muitas páginas), no início dá a impressão que o par dela é o príncipe Chen. Para ser princesa consorte Chu, a heroína tem de estar casada com o príncipe Chu. E no momento em que estou lendo a tradução, o príncipe Chu ainda é o avó de Chu Fei Yang (e esse é um outro personagem legal da história).

Agora um aviso para os mais sensíveis. Como mencionei, estamos falando de uma história de uma nobre na antiguidade, e muitas intrigas que acontecem ao seu redor. E também que a autora segue o momento histórico. E o que uma mulher tem de mais precioso no passado? A sua reputação! O que significa a sua virgindade quando solteira e sua fidelidade quando casada. Estamos falando de uma época na qual as mulheres que saíam muito de suas casas não eram bem vistas. E dai o aviso, nessa tem estupro. Mais precisamente, estupros causados por intrigas para acabar com a reputação de uma mulher (mas não sejamos machistas, e não vamos achar que os antigos eram sem coração. O estuprador também é manchado pela sua ação, só que a situação da mulher é pior). Vão tentar sim estrupar a Yun Qian Meng. Logo farei uma resenha de outra obra (O renascimando da imperatriz maliciosa de linhagem miltar, e o título é mesmo dessa tamanho) que também terá isso.

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