Resenha: Os Treze Porquês (Thirteen Reasons Why), por Jay Asher

Título: Os Treze Porquês (Thirteen Reasons Why em inglês)

Autor: Jay Asher

Língua lida: por incrível que pareça, foi em português. Para comprar, aqui está o link na Amazon do livro.

Tem em português: ligeira impressão que sim… Mas não tenho certeza, só a impressão, já que li em português e tudo mais…

Série: não vi mais do que 2 capítulos. Procurem na netflix para quem tem conta.

Sinopse:

Thirteen Reasons Why é narrada por Clay Jensen, um rapaz que ao voltar um dia da escola, encontra na porta de sua casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma garota que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Não é que acabei de ler esse livro, e nem que quero aproveitar o momento de divulgação da segunda temporada da série… não, é por isso mesmo que quero fazer essa resenha. Vi que teria uma nova temporada, lembrei do livro e… resenha!

Oh! Vou ter que me expor na internet de novo essa semana… porque esse livro para mim é pessoal. Sim, uma das coisas que aconteceu com a protagonista, aconteceu também comigo. E por isso mesmo que posso falar que esse livro para mim é pessoal, que posso fazer uma resenha do livro sendo que li ele há anos: minha identificação com a protagonista é enorme.

E por não lembrar, não mencionarei o nome de nenhum personagem. Só “a protagonista”, e “o protagonista” e indicações de personagens.

Não me lembro de nada impressionante na proza desse livro. Nada de muito enfeitado, nem nada muito cru, é uma narrativa simples. O que chama e prende a atenção o tempo todo é a história.

Vamos a polêmica! Os Treze Porquês é um livro que incentiva o suicídio? Na minha visão, é um livro sobre suicídio, com uma parte da narrativa mostrando os pensamentos e os raciocínios de uma garota depressiva que no fim se suicidou. Mostra assim como ela chegou a cometer suicídio, que acho que é o resumo do livro: o que faz alguém se suicidar? É pesado, sem dúvida alguma, mas é mais uma explicação do que uma glamurização do suicídio. Claro que para um depressivo que pensa em se matar, qualquer informação sobre alguém que fez isso é um incentivo… E para quem acha que falar de suicídio é incentivar o suicídio, esse livro incentiva sim isso, mas é porque está enviesado.

E é essa a questão que fica para aqueles que vão conviver com o pós suicídio de alguém com quem conviveram: porque essa pessoa fez isso. Os Treze Porquês mostra porque uma certa jovem, em um certo universo fictício, chegou a esse ponto.

A história começa no pós suicídio da protagonista, quando o protagonista não consegue entender o motivo pelo qual ela se matou. Ele gostava dela, mas nunca fez nada a respeito disso. E algum tempo depois, recebeu em casa um pacote cheio de fitas, enumeradas.

E quando ouve a primeira, descobre que foi a protagonista quem gravou, e diz que queria contar o motivo pelo qual ela suicidou, e que haviam 13 pessoas que a levaram a fazer isso, e que era para cada um deles ouvirem e repassarem para o próximo, em segredo. Segundo isso, o protagonista é um dos motivos pelo qual ela se matou. Só que ele não faz a menor ideia do que ele fez.

Li o livro anos antes do seriado, e não acompanhei a polêmica que a série causou. Mas li as resenhas da época. Boa parte dizia que todos os motivos que a protagonista atribuía o seu suicídio não pequenos, insignificantes. Algumas pessoas não fizeram nada que alguns achem que fosse pequeno, outros fizeram algo que várias pessoas já superaram. E concordo, foram muitas coisas pequenas e que poderiam ser resolvidas. Mas todas essas pequenas coisas são sim capazes de levar alguém ao suicídio.

Os Treze Porquês mostra o processo depressivo de uma garota. Cada coisinha que acontece vai destruindo algo nela, encurralando ela, acabando com a sua estima. É a destruição sutil que alguns fizeram com ela, é a retirada de qualquer tipo de suporte para que ela pudesse recorrer. Para a situação dela, o suicídio era sim viável.

Por isso mesmo para mim esse livro não é sobre o incentivo ao suicídio, e sim mostrar o peso que nossas ações tem para as outras pessoas. 13 pessoas fizeram algo que no final deixou a protagonista extremamente fragilizada, ao mesmo tempo que a protagonista antes de morrer fez algo que fez a mesma coisa com aqueles que ela atribuía a culpa dela chegar a essa situação. E em momento nenhum acho que ela atribuiu nada a si mesma. É uma obra contra o suicídio.

E como disse no começo, me identifico com a protagonista por ter acontecido algo comigo parecido com o que ela passou. Sim, peguei alguém me espiando em um momento bem íntimo, como ela também foi. E eu tinha quase que a mesma idade dela. E vocês não sabem o que é perder a noção de privacidade, é horrível! Passei anos na minha vida com as janelas fechadas quando estava sozinha, com medo de que alguém estivesse me olhando, e me sentia muito incomodada quando estava sozinha e com a porta e janela abertas; nessa situação, eu verificava a todo momento se tinha alguém do lado de fora. Banheiro só com tudo trancado… E por mais que superei muito isso, ainda de vez em quando eu ainda olho para a janela. E ser espiado e as consequências disso não é algo que você pode contar para qualquer pessoa, e muito menos algo que alguém vá compreender. Ainda bem que eu consegui superar isso, que não aconteceram coisas posteriores que me destruíssem ainda mais.

E para quem gostou desse livro, uma dica de leitura: A Lista Negra.

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Resenha: Destino da fênix (Phoenix Destiny), por Yun Ji

Título: Destino da fênix (Phoenix Destiny em inglês, Thiên mệnh vi hoàng 天命为凰 em mandarim)

Autor: Yun Ji

Língua lida: inglês, pela Gravity Tales

Tem em português: tem em um site extremamente obscuro, que usa tradução mecânica e que não aconselho ninguém a ir para dar dinheiro para os donos. Entre no link da Gravity Tales usando o Google tradutor se quiser ter a mesma experiência de leitura, mas de maneira honesta…

Sinopse traduzida por mim:

Lu Mingsu nunca acreditou em destino.

Ela não acreditou nisso quando seu pai recasou e fez com que a família dela se quebrasse em pedaços, nem acreditou nisso quando ela foi jogada em um vale para perecer.

Ela não acreditou nisso quando ela não tinha nenhum recurso financeiro para que pudesse cultivar, nem acreditou nisso quando ela foi caçoada por todos

She climbed up little by little from dust, while her reign soared into the sky, which caused the world to look on in fear!

Ela subiu de pouquinho em pouquinho da sujeira, quando seu reinado se elevou até os céus, ela fez com que o mundo olhasse para cima com medo.

Se a justiça não viesse, ela iria pessoalmente a obter.

Se o destino me desdenha, eu abrirei meu caminho para sobreviver.

Não importa o que o destino jogue para mim, eu com certeza irei me tornar uma fénix.

(Só para os desavisados: fênix é o simbolo ocidental para uma imperatriz, logo o de uma mulher poderosa)

Esse é o xianxia mais xianxia que acho que lerei na minha vida, e o motivo é muito simples. Caso vocês já conheçam algumas reclamações minhas, não leio livros chineses com personagens masculinos, com raras excussões. E Destino da fênix tem o estilão de um típico xianxia, mas com uma protagonista feminina.

Não é um livro que leio já faz algum tempo, comecei há pouco tempo. Mas já me cativou.

Como mencionei, é aquilo que se espera de um xianxia, mas com uma protagonista feminina. Tem situações semelhantes, histórias parecidas, mas risco algum de encontrar uma objetificação da mulher e nem um harém à caminho. Não fazendo militância feminista aqui, mas eu, como uma fêmea hétera, não tenho estômago para muito do que é publicado nesse gênero. Assim, com Destino da fênix, posso satisfazer minhas necessidades de xianxia! Tem muita luta, muita cultivação (se você sabe o que é xinxia, você sabe do que estou falando, se não sabe, vai pesquisar ou faça como eu: aprenda na marra lendo livros), muitas caçadas, muitas competições, muito tudo.

Nessa onda de transmigração, é refrescante não ter isso no livro. Ao invés de uma jovem inocente ser vitima e vir uma alma no corpo dela para se vingar de todos, a protagonista tem que assumir esse papel por si mesma e se superar para conseguir seus objetivos.

Lu Mingshu é a protagonista. Ela vivia com o pai e com o avô e a mãe doente em uma vida pacata até o dia que chega um papel de divórcio para a sua mãe. O seu pai se casou na família dela, o que para a sociedade, é considerado como se o status dele estivesse abaixo do de sua esposa, o que é humilhante. Mas ele fez isso já que a família tinha recursos para gastar para que ele pudesse cultivar, o que é bem caro. Antes mesmo da filha nascer, ele saiu para se tornar mais forte, e oficialmente melhorar a vida da família.

Só que o pai de Lu Mingshu é um salafrário de primeira, mas também talentoso! Conseguiu entrar em uma grande escola (uso o termo escola, já que não gosto de seita), mentiu para todos e logo se casou com a filha de um dos grandes mestres do local, tendo dois filhos com só um ano de diferença de Lu Mingshu. Quando conseguiu se tornar o chefe do local, mandou o pedido de divórcio para sua antiga esposa, e ainda mandou pessoas caluniarem aquela família, dizendo que eles obrigaram ele a se casar, que o humilhavam… essas coisas. O que fez com que seu avô morresse. E depois de irem para a escola para tentarem falar com o marido, ele mostra a data do divórcio, que foi escrita como se fosse anos atrás, fazendo com que sua mãe fosse ridicularizada, o que agravou o seu estado de saúde e logo faleceu.

Assim, Lu Mingshu estava sozinha no mundo e cheia de dor. Como o pai ainda era pai, ele nos olhos de todos tinha que cuidar dela, então a colocou na sua escola, mas sob a tutela de um dos maiores gênios, que só teve a sua cultivação estragada e agora vivia recluso. Lu Mingshu descobriu assim que o mundo era governado pela lei dos mais fortes: por mais que a sua família estivesse certa, aos olhos de todos, eles eram os errados, já que acreditavam no seu pai, já que era poderoso. Então ela jura vingança, e que se tornará mais forte que o seu pai.

E não é um dramalhão, tudo isso aconteceu em cerca de 5 capítulos.

Gosto da Lu Mingshu. Ela é destemida sim, mas não uma completa psicopata como muitas protagonistas que vi. Ela é esforçada e justa, disposta a se sacrificar por outras pessoas dependendo da ocasião. Passa sim por dificuldades para cultivar devido a sua história, mas também consegue arranjar uma certa maneira de obter algo que traz uma vantagem em comparação com todos.

De forma geral, esse livro tem alguns personagens principais interessantes e de personalidades claras. Só que tenho um problema com a quantidade de personagens “não memoráveis” nesse livro. São muitos personagens que são apresentados do nada, e você acaba perdido na história deles. No momento da tradução estou passando por isso, não me lembro da história de metade dos personagens envolvidos.

E terminando a resenha como sempre com um peonagem injustiçado, esse é o irmão de Lu Mingshu, o por parte de pai. E a mãe dele talvez, mas ela não aparece muito. É um rapaz que é tido como um gênio, que sempre teve tudo do bom e do melhor, o qual ninguém poupa nada para sua cultivação. Então do nada ele descobre que é o filho da segunda esposa (o que significa que é inferior ao da primeira esposa, mesmo que o seu pai não trate Lu Mingshu bem de maneira nenhuma, sendo que nem vê ela e dificulta a sua vida), e todas as vezes que se reencontram, são comparados. E sempre comentam sobre as facilidades de vida dele e das dificuldades dela, o que o faz se sentir como inferior.

Resenha: Vitamin, Life, Limit e Hope, por Suenobu Keiko

Esse é um post em comemoração da parceira com Otaku Nya Scanconforme anunciado.

Sim, essa é uma resenha de váááárias obras ao mesmo tempo. Todas da Suenobu Keiko. Ela é uma dessas mangakas que eu lembro pelo nome, e não pela obra. E considerando que não costumo me lembrar nem do nome das pessoas ao meu redor, isso é um elogio.

E várias obras dela tem publicação em português no Brasil. Crianças, bastam procurar no google para achar um lugar que venda! Ou clique nos links (e sim, eu ganho parte do que você gastar se você comprar por ele, e agradeço aos poucos centavos!)

E com a associação que eu fiz para que A encantadora cortesã: Mei Gongqing também fosse disponibilizado no Otaku Nya Scan, decidi dar uma olhada no scanlator. Já fazia algum tempo em que não lia um mangá, não por não gostar mais. Só que a vida de um nerd é marcada por um arrependimento: você nunca vai ter tempo na sua vida para ler, ver e assistir tudo o que gostaria, já que a vida é curta e os lançamentos e clássicos são muitos. Agora estou mais voltada para a leitura do que para mangás. E considerando que boa parte daquilo que eu queria ler não é traduzida ou tem uma tradução leeenta, estava realmente há tempos sem tocar em um mangá.

Caso você seja uma dessas pessoas que acham que mangá é coisa infantil, é uma maneira de expressão artística como qualquer uma outra, com uma variedade de conteúdo enorme. Há alguns anos mesmo vi uma reportagem na televisão, no qual estavam falando sobre mangás para a meninada, e no fundo apareceu vários mangás de Gantz. Se você não gosta de coisas pesadas MESMO, não leia Gantz… Se você tiver um filho menor de idade, não dê Gantz para ele ler!

E me deparei com uma ilustração que para mim tem um estilo bem especifico na sessão de obras deles. O título era uma palavra. Já reconheci que era um mangá da Suenobu Keiko e fiquei toda ‘Porra! Não acredito que estão traduzindo Hope para português‘. É porque tinha confundido com Vitamin, e então fiquei ‘Porra! Não acredito que tem um mangá novo da Suenobu Keiko‘. Novo de 2015, mas eu disse que estava há um tempo sem acompanhar o mundo dos mangás…

Se você achou que esses ‘porras’ foram muito, não aconselho ler nada da Suenobu Keiko. Mas… faço uma ressalva para Hope, que depois explico.

Ela é uma mangaka não novata, mas também não com a experiência de décadas, mas já premiada já no seu segundo trabalho, Life. Dois dos seus mangás foram transformados em dramas, Life e Limit. Life é tão bom que logo no primeiro capítulo, a rede transmissora recebeu mais de 100 reclamações sobre o conteúdo ser impróprio (não encontrei de novo as notícias daquela época, mas eu juro que vi essa reportagem. Eram 200 e tantas reclamações, se não me engano…). E o mais importante sobre ela: ela é uma especialista em bullying. Poucos conseguem retratar o bullying como ela.

Ela é bruta nas suas histórias, acho que uma das mangakas shoujo mais brutas que já vi. Só perde para a série Deep Love nesse quesito, na minha opinião. O bullying que ela apresenta é bruto, cruel de verdade, ela não tem medo de mostrar cenas de sexo que não sejam românticas nun shoujo, não se importa em colocar uma prostituta como mocinha… E no meio de tudo isso, ela consegue criar uma empatia com o leitor.

Tudo começou com Vitamin, de um único volume, que li depois de alguns capítulos de Life. Até fiz uma pesquisa agora para saber se é uma autobiografia dela, esse mangá. É a impressão que dá, de que ao menos algumas partes sejam verdadeiras, já que tem um tom tão pessoal. Uma protagonista com o sonho de virar mangaka e tem suas obras rejeitadas é bonitinho. Mas colocar essa mocinha para fazer sexo oral com seu namorado e ser pega, e ser ridicularizada e sofrer as consequências disso, isso já não é aquele shoujo bonitinho que me falaram que era…

Vitamin me faz lembrar das vitimas de pornografia da vingança, algo que não era tão comum assim na época do lançamento, ao menos no Brasil. O ser lembrada e julgada por todos ao seu redor pela sua sexualidade da pior forma possível. Em um mundo no qual uma mulher é valorizada por não parecer rodada, há poucas experiencias piores do que essa que uma adolescente pode passar. E sentimos a dor da consequência de tudo.

Então entramos com aquela que deve ser a sua maior obra, Life. Outra obra brutal. O nome da antagonista, Manami, é algo que até hoje me lembro de tão vaca que ela era. Life é como uma versão longa de Vitamin, também tratando de bullying de forma bruta e (talvez) exagerada. Nunca vivi no Japão, não sei a realidade para saber o que é considerado como o bullying extremo, mas deve ser o que acontece nesse mangá. Logo no começo, a protagonista, Ayumu, já é vitima de algo que ela não fez: como tinha dificuldades nos estudos e queria ir para a mesma escola que sua melhor amiga inteligente, ela pediu para ela para que a ajudasse nos estudos. Aqueles ao redor da sua amiga foram contra, dizendo que iria atrapalhar seu rendimento, mas a amiga ajudou assim mesmo (e um detalhe: uma das melhores maneira de aprender mais sobre algo é ensinando alguém, então essa amiga deveria estar era se beneficiando por ajudar Ayumu). Logo Ayumu melhorou as notas, mas as notas dessa amiga caíram. O resultado disso foi que Ayumu entrou naquela escola, a amiga não conseguiu, e por isso tentou suicídio. E imagina quem que culparam?

Nessa escola, na qual não conhecia ninguém, logo acabou ficando amiga de uma das garota mais populares, Manami. Manami era popular, bonita, rica, boazinha e com um namorado. Basicamente, invejável. Devido a um desentendimento, no qual Ayumu tentou ajudar na relação da sua amiga e do seu namorado, Manami confundiu as intenções dela como quem estava interessada no seu namorado e a sua verdadeira personalidade apareceu. Basicamente, Manami era uma garota cruel que sentia prazer em torturar as pessoas, e tinha encontrado a pessoa perfeita, a fragilizada Ayumu.

Acho que essa é uma das obras dela na qual o leitor mais vai sentir o os sentimentos do protagonista durante a leitura, a distorção do antagonista. Em um momento no final, no qual Ayumu acaba sendo perseguida por vários alunos, tive a sensação de que o que via não era como a cena se passava, mas sim como ela percebia e sentia o que estava acontecendo.

Não sou uma chorona, mas esse foi o único mangá que já me fez chorar.

Então ela veio com o originalíssimo Limit. Por mais da metade do primeiro capítulo você tem a sensação que seria mais um Vitamin ou Life. Um grupo de garotas praticando bullying com outra em uma viagem. Konno é só uma garota normal, que quer fazer parte de um grupo de amigos, mas que acaba fazendo coisas que não achava certo para não ser vista como estranha. Até que o ônibus sofre um acidente, capota em uma montanha e morrem. Não todos, mas a maioria sim. A que parecia que seria uma das protagonistas, sim, essa morreu. E para piorar, o motorista tinha desviado da rota, de modo que ninguém sabia onde eles estavam. No meio de uma floresta.

Então temos uma obra diferente de Suenobu Keiko, de sobrevivência! Errado! Aconteceu a pior coisa possível: aquela que sofria bullying foi uma das sobreviventes, e em uma situação caótica e de risco, aqueles que sobreviveram na qual o maior perigo não era o seu redor, mas eles mesmos. Não eram um grupo de amigos sobrevivendo, eram um grupo de pessoas que sabiam que mesmo na civilidade, que eles conseguiam ser o lixo do lixo. Limit é uma espécie de Life + Battle Royale + O senhor das moscas. Só coisas que quem é sensível a um ‘porra’ deveria ficar longe.

Um grupo de jovens que foram obrigados a sobreviver, com a dor e a felicidade da morte de amigos e inimigos nas costas e com uma vida fora daquela situação. Todos os personagens são bem construídos, suas motivações, seus sentimentos.

E agora ela aparece com uma obra nova, Hope. Ainda a tradução está no começo, mas já vemos o melhor de Suenobu Keiko…. BULLYING! Porém, pelo que parece, essa é a obra mais suave dela nesse quesito. Ou pelo menos ela ainda não mostrou o que queria… É uma história de uma garota que gosta de desenhar mangás, mas tem vergonha disso e tem medo do que achariam dela se descobrissem isso, por isso esconde. Tem uma professora que também acaba praticando. Uma das observações que adoro fazer: eu entendo que essa professora até em alguns momentos tem boas intenções, mas ela é do tipo de pessoa que não deveria estar na profissão dela porque não consegue lidar com certas situações como deveria. Revelar seu sonho é uma grande mudança para ela. Como as pessoas reagiriam, como seus amigos reagiriam? Ela seria considerada como uma esquisita? Muitas perguntas já começam a permeá-la só para começar.

Basicamente, esse mangá é ‘se Bakuman fosse escrita pela Suenobu Keiko’. Parece que vai ser mais do que um shoujo ambientado em uma escola, e sim voltado para disputas internas entre mangakas nas editoras. Diria que é esse o mangá que tem o tom de autobiografia dela!

 

Em suma, se é Suenobu Keiko, leia!

Resenha: Imperatriz sem virtudes (Empress with no Virtue), de Jiu Xiao Qi

A encantadora cortesã

Título: Imperatriz sem virtudes, (Empress with no Virtue em inglês), (Hoàng Hậu – Tửu Tiểu Thất, 皇后无德 em mandarim )

Autor: Jiu Xiao Qi

Língua lida: Inglês. Completo. veja os tradutores, teve mais de um grupo de tradução

Tem em português: Não tem.

Sinopse em português traduzida por mim:

A história começa com a nossa Ye Zhen não tendo o menor interesse em ser feita Imperatriz. Na noite do seu casamento, ela chutou o Imperador para fora da cama e isso resultou nele fosse procurar pela concubina dele. Desde esse momento, uma inimizade entre eles não parava de crescer!

Decidi fazer essa resenha porque umas pessoas estavam acessando o link que coloquei para ele. É interessante, já que só coloquei o link e nenhuma sinopse, talvez as pessoas tenha gostado do título.

Se bem que eu não sou lá muito fã do título, e não tem muita relação com a história…

É um livro interessante para aqueles que tem interesse na vida palaciana com um harém. E para quem tem interesse nisso com uma protagonista feminina, o que não significa que teremos um bonitão pegando todas ao mesmo tempo. Em geral, as mulheres não gostam de de algo desse tipo.

E livros desse tipo costumam ser muito interessantes. Talvez algumas pessoas, por certas sensibilidades, fiquem com receio, mas eu digo que vale a pena abrir a cabeça. Na literatura, tenho lá minhas reservas com o poliamor na vida real. Juntar um bando de mulheres no mesmo lugar disputando por uma pedaço de carne, no qual um erro e um acerto poderiam influência não só sua vida, mas a vida de toda a sua família? Isso é muuuuito interessante! As feministas extremistas que me perdoem, mas existem poucos enredos na literatura que exploram mais o ser mulher e o poder feminino do que uma história que se passa dentro de um harém.

A s descrições e o ar que esse livro passa não é tão bonito e elegante como de outros livros, mas não deixa de ter um ar palaciano. É mais informal em todos os sentidos se comparado com algumas obras semelhantes.

Ye ZhenZhen é a neta de um dos homem que detém um grande poder político, e por isso é uma pedra no sapato do imperador. Ela é a queridinha dele, mas ele acaba fazendo a burrice de obrigar o imperador de se casar com sua neta, por imaginar que ser uma imperatriz trará a felicidade para ela. Só que basicamente, ele casou sua netinha querida com alguém que odeia ela de antemão, e não está nada feliz por ser obrigado a se casar.

E ela vai lá e acaba chutando o imperador para fora da cama na noite de núpcias. Literalmente. O que acaba sendo uma boa justificativa para que ele não a procure mais, e vá passar suas noites com as demais concubinas. E ser uma esposa do imperador que ele claramente não gosta não é nada vantajoso. Muito pelo contrário. Só que ZhenZhen é a imperatriz, posição a qual a coloca como a esposa mais poderosa de todo o harém, e também a responsável pelas outras concubinas.

Então vai lá, ZhenZhen sendo obrigada a lidar com as outras concubinas, algumas favorecidas, outras não. Algumas que querem o seu lugar e querem a derrubar, outras que vão tentar ser suas aliadas. E ainda tem de lidar com o imperador, que tenta derrubar o seu avô de todas as maneiras.

Mas elas não é o tipo de mulher virtuosa da época. Não choraria porque o marido não gostava dela. Era mais interessada em pistolas do que em bordados. E aos poucos vai conquistando o imperador.

Só que nesse livro terá uma cena mais… cabulosa?

Resenha: Os oito tesouros do enxoval Yue Xia Die Ying (Eight Treasures Trousseau )

A encantadora cortesã

Título: Os oito tesouros do enxoval, (Eight Treasures Trousseau em inglês), (八宝妆 – Bā bǎo zhuāng em mandarim )

Autor: Yue Xia Die Ying

Língua lida: Inglês. Pela Dreams of Jianghu

Tem em português: Não tem. Eu tinha interesse em traduzir, mas não tive retorno na minha mensagem pedindo autorização para traduzir para o português, e não consegui encontrar o e-mail do tradutor

Sinopse em português traduzida por mim:

Todos na cidade de Jing achavam que o decreto do casamento entre Xian JunWang e a filha di da casa do Marquês de Yi’an era como plantar uma flor recém colhida no esterco.

Xian Junwang era a flor recém colhida e a filha di da casa do Marquês de Yi’an era o esterco que ninguém gostava.

Não dizem que o que ouvem pode ser falso, que tem que ver para acreditar? Quem realmente sabia qual era a verdade?

Na verdade, eu iria fazer essa resenha junto com outro livro da mesma autora, que foi traduzido antes, e só estava esperando terminarem a tradução desse livro para fazer a resenha. Esperei, a tradução foi finalizada no final do ano passado, e não tinha feito a resenha ainda. Decidi fazer agora, e decidi separar as resenhas.

O motivo? São dois livros, então para que fazer uma resenha só?

O motivo de antes? O enredo é idêntico, o tom é idêntico.

A própria tradutora chama esse livro de Para ser uma esposa virtuosa 2.0!

E estou usando parte da resenha de um no outro mesmo!

O enredo de Para ser uma esposa virtuosa e de Os oito tesouros do enxoval é o seguinte: uma mulher moderna é transmigrada para o corpo de uma mulher da antiguidade, que se casa com um príncipe. Esse príncipe está envolvida na sucessão do trono. A protagonista só quer viver uma vida confortável e preguiçosa, mas nas poucas horas que precisa, sabe ser esperta. Ela conquista o príncipe logo de cara e o afasta das inimigas.

Até o final dos dois livros é igual. Sério, se você ler um livro, o final do outro é igualzinho!

E creio que esse enredo só vai se diferenciar um pouco de uma outra obra que parece que será traduzida da autora, O trabalho como uma Consorte Imperial (The Imperial Consort Occupation).

E isso me fez repensar no que me fazia interessar por um livro e sobre plágio. Já deixei de ler muitos livros por causa da sinopse, por achá-la simples demais, ou o contrário; ler um livro ruim por causa de uma premissa boa. Sempre a base do enredo foi algo importante para mim, mas agora já não é mais. Por mais que esses dois livros sejam idênticos em questão de história, sejam até mesmo escritos pela mesma autora, que dá o mesmo tom, e que a protagonista é a mesma, o decorrer é diferente. Isso diferencia Para ser uma esposa virtuosa de Os oito tesouros do enxoval. Não o conteúdo, não como é contato, mas sim o caminho que a história percorre. O começo e o final de ambos são quase idênticos, mas o como chegou lá foi diferente. Com isso, mesmo que fossem autores diferentes, eu não poderia falar que um é plágio do outro.

Agora, a história desse livro, e não do outro.

Ao contrário de várias histórias de transmigração, a protagonista, Hua Xi Wan, não transmigrou para o outro mundo logo no começo da história. Isso aconteceu quando o seu atual corpo era criança. Quando essa menina morreu, o corpo de uma atriz tomou conta dele e viveu até o presente momento, no qual se casava. Só que ela estava cansada da correria e da falsidade do mundo do entreterimento, e preferiu viver reclusa. Quase não saía de casa até a vida adulta e eram poucos os que viram o seu rosto.

Só que fofoqueiros como só os seres humanos conseguem ser, logo surgiu um rumor para explicar o motivo dessa menina nunca sair de casa: ela era feia, horrorosa, deformada. E algumas pessoas tinham motivos para que esse rumor continuasse. Os inimigos queriam ter uma mulher a menos como concorência no mercado casamenteiro, no qual além da nascença, a aparência também era importante. Quem iria querer ser o noivo de uma mulher famosa por sua feuira? Seria como uma humilhação para ele e sua família.

Só que os pais de Hua Xi Wan também tinham um motivo para que quisessem que a filha tivesse a fama de feia. Isso porque Hua Xi Wan era linda. Já falei como a beleza pode ser importante, e com um rosto como o da garota, ela teria muitos problemas. Poderia ser desejada por vários homens que seriam inescrupulosos para se casar com ela, e até mesmo poderiam forçar um casamento com alguém de status mais elevado do que o da família deles. E foi isso o que aconteceu.

O imperador decretou o seu casamento com o Príncipe de segundo grau (JunWang) Xian, Yan Ji Qiu. Ele era o sobrinho do imperador, filho de um príncipe que foi seu concorrente na luta do trono, e perdeu. O motivo para que esse casamento era claro: o imperador não gostava do JunWang Xian. O imperador só tinha um filho, justamente com a sua imperatriz, o príncipe herdeiro, e ele era um bosta, e ainda por cima histério. A capacidade de ter filhos era determinante para a manutenção da linhagem real, então era uma falha grave. O seus dois sobrinhos do imperador, filhos de diferentes pais, representavam uma ameaça não só para o príncipe herdeiro, mas também para ele mesmo. Sabendo da incompetência do filho, a imperatriz impedia que as concubinas reais tivessem filhos, já que literalmente qualquer um era melhor que ele.

Então também aí começa a corrida para saber quem terá um filho primeiro: Xian JunWang, Sheng JunWang (o outro primo), o príncipe herdeiro ou o imperador.

Mas o casamento não foi como todos imaginavam que seria. Hua Xi Wan era linda, e Yan Ji Qiu era um bom marido. Apesar de pelo menos na perspectiva dela não fosse amor a primeira vista, acabaram se apaixonando com o tempo.

Hua Xi Wan viveu uma boa vida como princesa. Era bonita, tinha um marido rico que não se importava no quanto ela era preguiçosa e relaxada, não tinha concubinas… Ela era invejada por todos.

Só que até por isso, por falta de intrigas amorosas, o foco desse livro são as intrigas políticas, o jogo de poder. O quem traiu quem, o quem é aliado de quem, quem consegue derrubar quem.

Todos parecem querer o trono e não medem esforços para consegui-lo. Se não tiverem status para isso, ao menos queriam ficar ao lado de quem ficará no trono. Quem leva a vantagem é o casal protagonista, que parecem ser os únicos que pensam a longo prazo.

Um dos pontos altos da trama é a necessidade de cortesia e de regras, que ditavam até mesmo quando chorar. Cria aquela tragédia que no final vira uma comédia. A profissão de Hua Xi Wan veio a calhar, já que ela sempre parecia sincera.

Não achei que esse livro tem a beleza de Para ser uma esposa virtuosa, mas é mais dinâmico e cheio de intrigas que prendem o leitor. Nesse livro, algumas vezes não sabe o que vai acontecer, quem fez o que e quem é o culpado, enquanto o Para ser uma esposa virtuosa foca no romance e já deixa claro a devoção do marido da protagonista, fazendo com que as intrigas tenham finais previsíveis por saber de que lado ele vai ficar.

Agora, a personagem coitadinha com a qual sempre termino. A personagem injustiçada, que sempre é uma mulher. A da vez é a princesa herdeira, a esposa do filho do rei. Ela acaba tendo a fama de má, mas ela está em uma situação complicada, e sempre foi considerada como tendo um “gênio ruim”, assim alguém que não daria mesmo conta da vida que vivia.

Para saber a história dela, passe o mouse nesse trecho e leia a caixa de texto que aparecerá.

Também tem a esposa do Sheng JunWang, que achei que poderia melhorar um pouco, ainda mais sendo uma das minhas personagens favoritas. A atitude que ela acaba tomando é previsível, mas mesmo assim chocante por se concretizar. Na realidade ela não foi assim tão injustiçada, mas creio que poderia ter um final diferente, na qual pudesse ser mais feliz.

Para saber a história dela, passe o mouse nesse trecho e leia a caixa de texto que aparecerá.

Resenha: Perdida, por Carina Rissi

Título: Perdida

Autor: Carina Rissi

Língua lida: português

Essa é uma resenha que faz mais de um ano que se encontra em um joguinho mental destro de mim. Faço ou não faço? Faço ou não faço? Faço ou não faço?

Disso dá para deduzir quem boa coisa eu não achei desse livro. Só que com a pouca quantidade de autores nacionais que conseguem chegar onde Carina Rissi chegou, e não acho interessante falar algo contra alguém desse calibre. E talvez tenha alguma coisa de recalque na minha opinião (essa palavra usado no sentido popular), por ser uma escritora amadora. E sendo sincera, vou fazer a resenha com as impressões que tive com a leitura que fiz há algum tempo. Não reli.

Vamos começar pelos poucos elogios que posso fazer.

Não me interessei em ler muitas obras da autora pela sinopse, por isso esse é um dos únicos livros que eu li dela. Também comecei a ler No mundo da Luna, mas como não era do tipo de história que eu gosto, larguei no meio do caminho. Não falei que era ruim, mas não era algo que eu gosto de ler, uma questão de preferência pessoal.

Carina Rissi tem um estilo de escrita que eu gosto. Não é lírico, rebuscado, que possa ser chamado de bonito nada disso. Também não tem aquele ar de fanfic malfeita que se encontra por aí, mal escrito e sem graça. É pessoal, gostoso de ler, que te cativa e faz você ficar imerso no que conta. Ela tem uma pegada cômica, que por mais que eu acho que nunca chegue a fazer gargalhar de verdade enquanto lê, faz você estar sempre com um sorrisinho durante a leitura. Acho que isso é algo de suma importância para um autor, conseguir despertar a vontade de seu leitor continuar a ler.

Também não tenho nada a reclamar em questão de ritmo. Apesar de que eu goste mais de histórias que passem devagar, Perdida não é uma história que é apressada. A autora tinha uma história para passar e conseguiu dar sua mensagem sem enrolar ou espremer em nenhum momento.

Agora ninguém pode falar que eu não falarei nada de bom sobre a obra.

Vamos falar mau!

Vou explicar o motivo pelo qual falei que eu poderia ser uma recalcada: Carina Rissi escreveu um livro de viagem ao tempo, do presente para o passado. Meu gênero favorito de longe é viagem ao tempo, e acredito que é um dos gêneros mais difíceis de se escrever. Sim, meu sonho é escrever um livro de viagem do tempo, tenho mais de cinco enredos diferentes na minha cabeça, só que eu não me sinto preparada para escrever um. E a autora também não estava preparada, mas fez isso mesmo assim…

Para conseguir fazer isso, tem de ter um domínio do que é o presente e o que é o passado, suas diferenças e as suas igualdades. Se tratando de uma protagonista feminina, deve se fazer algumas perguntas. Quem e como é uma mulher moderna? O que ela pensa, o que ela almeja, quais são seus valores, quais são seus limites? O que ela suporta e o que ela aguentaria? O que a faria desabar? Quais são os seus conhecimentos de mundo? Agora sobre o passado, deve saber a mesma coisa para os personagens, e ainda dar uma boa estudada sobre como era a sociedade da época em que se viaja.

E isso foi feito muito mal nessa história. Comecemos com a caraterização da época. Esse livro sofre de uma “inglezação” que está em voga para muitos autores brasileiros. É o nome que eu dou para fazer com que o livro se pareça com um livro escrito por um autor da língua inglesa, que é atualmente o que mais se consome no mercado brasileiro. Só que como não é a nossa cultura do dia-a-dia, e também quem escreve não tem conhecimentos sobre como é o estrangeiro, acaba virando uma coisa estranha, um mundo que não é nem o brasileiro, nem o de um país estrangeiro, e sim algo que o autor criou na própria cabeça. Não falo só de ambientação, mas também de personagens e ideologia. O próprio par romântico é um inglês.

Supostamente a história se passa em São Paulo na metade do século XIX. De maneira alguma a época na qual a protagonista foi enviada era a cidade de São na metade do século XIX, qualquer um com conhecimentos básicos de história sabe disso. O clima, os acontecimentos, nada disso bate com o tempo histórico. E não me venha com a desculpa de que “escravidão é algo feio demais e iria estragar o tom do livro” quando se tem um movimento abolicionista acontecendo naquele exato momento. Se você vai  falar de Brasil no século XIX, XVIII, XVII, você vai ser obrigado a falar sobre escravidão, a ter personagens negros como servos, a ser chamada de “sinhá”, “sinhô”. E o que o leitor quer ver uma mulher moderna fazendo nessa época, além de escandalizar todos com sua minissaia? Defendendo a ideia de que todos somos iguais e ao menos tratar em algum momento um negro como ser humano, ser contra casamentos arranjados, essas coisas.

O que se colocaria em São Paulo nessa época? Para começar estudantes universitários de direito, casarões dos barões do café, café e mais café, notícias sobre a corte no Rio de Janeiro, escravos, o começo das discussões sobre a libertação dos escravos. E a porra da corte que às vezes conseguia ser mais conservadora do que as europeias (sim, o Brasil sempre foi um país de contrastes.). Poderia ao menos mencionar uma ou outra figura histórica. Um dos protagonistas é inglês, por que não adiantar alguns anos e mencionar o projeto ferroviário do Barão de Mauá ou a Questão Christie? Está óbvio que a autora não se preparou para escrever sobre essa época.

Mas sabemos no fundo o motivo para isso. A história se passa em São Paulo, mas na verdade se passa em uma fictícia cidade do interior da Inglaterra.

E agora vamos falar sobre a inconstância da protagonista. Ela é o “é, mas não é”. Foi apresentada como uma mulher moderna amante das obras de Jane Austen, e esse é o motivo pelo qual eu fiz o julgamento de que na verdade a história se passa numa Inglaterra fictícia (teria feito melhor proveito se lesse José de Alencar. Não Iracema, que é complicado demais e nem é nessa época, mas Senhora é um bom livro!). Ela é viciada, do tipo que sabe todas as linhas, e supostamente alguém que se daria bem se fosse viajar no tempo. Mas não. A protagonista não só não age como uma mulher moderna, como também não age como alguém que lê obras de época, sendo várias vezes infantil. Simplesmente infantil, a criança que dá birra.

Se quisesse colocar a protagonista da maneira que ela é e sem ter essa inconstância, bastava não mencionar que ela gostava de Jane Austen. Carina Rissi gosta de Jane Austen, a personagem que criou não precisa gostar de Jane Austen! Ela não demonstra isso em momento algum!

Não tenho nada a falar sobre o par romântico. Idealizado e genérico, impossível de não gostar. É o cara dos sonhos de qualquer mulher.

As situações são sim cômicas, interessantes, o enredo é fluído. O problema dessa história é que se você parar para pensar em qualquer coisa, toda a magia da obra desaparece.

resenha: O rei demoníaco persegue a sua esposa: a rebelde senhorita inútil (The Demonic King Chases His Wife: The Rebellious Good-for-nothing Miss), por u Xiao Nuan

A encantadora cortesã

Título:O rei demoníaco persegue a sua esposa: a rebelde senhorita inútil (The Demonic King Chases His Wife: The Rebellious Good-for-nothing Miss em inglês), (邪王追妻:废材逆天小姐 em mandarim)

Autor: Xiao Nuan

Língua lida: Inglês. Pela moon bunny cafe

Tem em português: Sim, pela Aliança Novel

Sinopse em português traduzida pela Aliança Novel:

Ela, a assassina de renome do século 21, na verdade, faleceu e renasceu para se tornar a mais inútil e bom para nada Quarta Senhorita da Mansão Su.

Ele, realeza imperial do Império, o príncipe Jin, era um tirano arrogante e demoníaco sem emoção com um talento inigualável.

Todo mundo sabia que ela era uma boa para nada idiota e a intimidavam como quisessem. Mas só ele, o tirano arrogante com um olhar perspicaz, não apenas a deixou ir, mesmo se sua vida dependesse disso. Por enquanto, vamos ver como o choque de teimoso contra teimosa é tocado neste bom show de perseguidor e a perseguida.

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Com toda a sinceridade, só estou fazendo essa resenha porque descobri que esse livro está sendo traduzido em português. É um livro que abandonei. Abandonei depois de mais de 1200 capítulos lidos, e não coloquei um 0 a mais. O livro tem na verdade mais de 10.000 capítulos. E sou uma daquelas pessoas que não acreditam que esse livro será totalmente traduzido.

Quando terminou um arco e iria entrar em outro, mais precisamente quando apareceu uma complicação desnecessária, decidi que estava de saco cheio e iria parar de ler.

É ruim? Não! Li mais de 1000 capítulos! Talvez um dia continue a ler. O começo é excelente, só algumas vezes se torna enjoativo. Autores de webnovels chines ganham por palavra publicada, e alguns tender a dar aquela enrolada.

A história é genêria para xianxia com personagens femininos. Uma mulher fodona morre e é transmigrada no corpo de uma garota nobre e desconsiderada pela própria família que não consegue cultivar, que suicidou/foi assassinada logo depois de romper o noivado com o príncipe herdeiro. Só que na verdade há um motivo pelo qual ela não consegue cultivar, e depois que resolver isso, ela é realmente fodona. Vocês não fazem ideia a quantidade de livros que encaixam nessa descrição…

Su Luo foi assassinada pelas irmãs, que queriam que o príncipe herdeiro se casasse com uma deles, e não achavam que Su Luo era digna para tal. Ela era filha de um grande general, por isso conseguiu esse noivado. Só que ela vivia em um reino no qual os fortes eram valorizados, e no dia que foram testar sua capacidade espiritual, aparentou que ela não tinha nenhuma. Ela cresceu com os maustratos da família até sua morte.

Então uma fodona renasceu no seu corpo e a partir daí fez a vida de quem a infernizou um inferno. Não era que Su Luo era inútil, ela era um gênio raro. E devido a uma joia que engoliu antes de morrer na sua vida, conseguiu diversas capacidades de trapacear.

Ela começa a ter uma relação com o segundo príncipe, que na verdade é bem mais forte que o primeiro, mas é uma relação meio estranha. Por mais que no começo ele pareça fiel a ela, todo devotado, não confiou nela em um momento importante, sendo enganado pela rival do amor.

Os personagens são simples. Os maus são maus, os bons são sem-vergonhas.

O meu grande problema com o livro é que as partes na qual Su Luo está sozinha são entediantes e longas.

É um xianxia com reincarnação de alguém fodão normal. Vai cultivar com uma velocidade incrível, vai bater em todos que já bateram nela, vai ter uma sorte anormal, vai apanhar só uma vez para que queira ficar mais forte… É isso… Em mais de 10.000 capítulos (todos pequenos). Para quem não tem o compromisso de ler até o final, é uma ótima leitura.

melhor momento até agora, na minha opinião. Como é um spoiler, passe o mouse nesse trecho e leia a caixa de texto que aparecerá.