Crônicas de uma escritora: tirando o amadora e indo para o internacional

Creio que esse “Crônicas de uma escritora” seja o mais íntimo que farei na vida. O mais pessoal.

Hoje foi o dia em que enviei a primeira parte da tradução de “A vilã da história”, “The story’s villain”, para a publicação. Estará disponível para venda na versão e-book por $1,50 em até 3 meses, segundo a regulação do BabelCube, a editora que estou usando.

babelcube

E também foi hoje que a ficha caiu…

Eu sou uma escritora. Uma p**** de uma escritora que daqui há menos de 3 meses terá sua primeira obra publicada internacionalmente. Uma escritora.

Não uma amadora.

Acho que devo ter sido a única escritora do mundo que publicou uma história em um lugar e ainda usou um “amador” depois de “escritor”. Não importa se é alguém que escreve poemas em um blog que ninguém nem acessa, o nome que vai usar para si mesmo é “escritor”. Mesmo quando escrevia fanfics, há anos atrás (e sim, eu fiz isso – dá uma olhada na minha biografia…), eu não fiz isso.

Coloquei um escritora amadora quando lancei A vilã da história.

Há alguns dias publiquei o texto Porque decidi NÃO publicar em uma editora , o que pode deixar alguns achando que lido bem com não ter uma editora, que decidir publicar livros por mim mesma foi uma decisão fácil… Não foi…

Escrevi esse post para que algumas pessoas NÃO passem pelo que vivi, pelo que senti. Quando envia várias originais para editoras que você conhece e é rejeitado, quando envia para editoras que você não conhece e também é rejeitado. Quando é aceito por editoras indies… Quando descobre por si mesma que o livro que você enviou não é realmente bom (não, o livro que enviei para essas editoras não foi nenhum de Um conto de uma fada, e sim um livro que ainda não publiquei nem por mim mesma: O mundo sob a ótica de uma míope. Que não publiquei porque devo fazer várias modificações, e já dá para perceber que tenho 0 de ânimo para isso. Ainda não sou idiota o suficiente para acreditar que uma editora brasileira vá patrocinar uma escritora desconhecida que faz séries do gênero fantasia, no qual cada livro tem mais de 500 páginas!)… Você duvida de si mesma. Duvida muito!

Sim, eu sei que gramaticamente não sou nem de longe uma das melhores escritoras. E que não estou disposta a pagar por um revisor no momento. E sei que há um motivo pelo qual minha original foi rejeitada, e que provavelmente não receberam, nem leram e tacaram fogo nela como já imaginei diversas veze. Ou pelo menos espero que essa parte do tacar fogo seja verdade, como foi prometido por todas as editoras, já que vai que seja usada de inspiração para outro autor da casa…

Mas você se sente muito mal consigo mesmo. Me senti muito mal no momento que cheguei a conclusão de que iria me publicar, também um bocado de euforia, mas acho que me senti mais mal do que bem… Talvez seja por isso que tomei a decisão de colocar A vilã da história de graça, não totalmente pela minha visão de democratização da leitura…

Ser uma escritora no Brasil de livros digitais não é fácil. Ainda não é algo popular. As pessoas por aqui ainda precisam de sentir o papel, cheirar as folhas… e-books é uma novidade que só está sendo aceita completamente por leitores hardcore que não importam mais tanto assim com prateleiras cheias, e sim na quantidade de livros. E ainda não passei pela fase Watpad para conseguir fans antes de publicar. E ainda por cima, do gênero fantasia, que em geral não é exatamente um gênero que é muito popular.

E tudo isso são só desculpas que necessito.

Por isso, coloquei esse amadora. Não sentia que era uma escritora e pronto, mas uma escritora que precisava dessa designação para publicar. Um “olha, não esperem muito porque não sou profissional ainda!”

Só que coloquei meu livro na editora BabelCube, uma tradutora aceitou traduzir o livro para o inglês. A Diana Brandao. Ela teve problemas pessoais no meio do caminho e assim não pôde completar a tradução, por isso o livro será dividido em duas partes. E agora a primeira parte está pronta, entregue e esperando para ser aprovada para a publicação…

Foi depois de algumas horas depois de receber a mensagem da imagem acima que lembrei que coloco em todos os lugares possíveis que sou uma escritora amadora. Não! Não sou, não posso mais me esconder nesse rótulo de amadora. Não sei como será a vendagem da tradução, não sei se será um fracasso ou sucesso, mas sei que uma escritora com um livro traduzido para outra língua não pode ter a covardia, a pouco valia de se autodenominar de amadora.

Pronto, agora em vez de amadora, tenho outro nome: writer.

Não sou uma tradutora profissional, já que não tenho nenhuma certificação, mesmo que eu faça alguns trabalhos freelancers. Mas escritora profissional… não tenho certeza ainda. Mas escritora sim, isso eu agora tenho certeza que sou.

Se para ser uma escritora eu devo ter uma editora, eu agora tenho, a BabelCube, o apoio da Diana Brandao. Eu sempre tive, a Amazon, a Smashwords e a Clube de Autores (que ninguém nunca comprou um livro – e eu não recomendo, só está lá por estar…).

Desconheço o futuro. Não sei se pararei por aqui. Não sei se esse vai ser só o começo de um lindo caminho… de uma escritora!

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