Porque decidi NÃO publicar em uma editora

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Em primeiro lugar, vamos fazer um exercício!

Pense nos autores nacionais que trabalham com o mesmo “material”, ou “público” que eu, livros direcionados para adolescente e jovens adultos com uma protagonista feminina. Vamos pensar…

Thalita Rebouças…

Renata Ventura…

Paula Pimenta…

Carina Rissi…

FML Pepper (uau, menina, você conseguiu entrar na lista!)

Um youtuber talvez…

E… talvez se você for realmente um amante da produção de literatura para esse público conheça mais do que esses nomes, acompanhe mais do que esses nomes, mas provavelmente não faz a menor ideia de quem seja uma ou outra dessas autoras. Ou todas elas!

Mas isso não significa que temos uma FALTA de autores nacionais? Que existe um mercado imenso, cheio de oportunidades… e só está esperando para que eu escreva meu livro e entre no hall da fama!

Não é bem assim.

Há muitos, mais muito autores nacionais em ativa na atualidade, ainda mais na era do Wattpad. Autores bons, autores ruins, alguns com um nível de escrita, criatividade, enredo, qualidade melhores do que de algumas desses nomes citados. E boa parte é sim inferior… porque é!

Claro que sim! Não vou negar em momento algum que muitos dos escritores nacionais para um público mais jovem costumem ser piores do que os gringos. Se nós nem temos uma popularização de clubes de leituras, se as aulas de escritas criativas são quase inexistentes, como é que esperam que haja um aperfeiçoamento daqueles que desejam se tornar escritores? Com as aulas de redação, na qual somos preparados durante anos a escrever 30 linhas de dissertação em uma hora?

Mas também tem muitos brasileirinhos que escrevem muito bem! Só que esse não é um post de divulgação da literatura nacional, é de informação para escritores nacionais.

Para desanimá-los de vez… E fazer com que não caiam em uma furada que eu, ainda bem, não caí. Ou talvez não seja uma furada…

Certa vez, conversando sobre o tema com uma blogueira de resenhas, que tem uma parceira com algumas editoras. Ela disse que se não fosse essa parceira, ela nunca conheceria alguns autores, e que eram bom, e que sim, tinha a impressão de que autores nacionais eram ruins.

E essa é a grande praga da literatura nacional: de que somos ruins. Não vou negar em momento algum que não é merecida, já que se esse rótulo existe, é porque algo o motivou a existir. No passado bem passado, todas as vezes que me aventurava em um autor nacional eu me decepcionava, já que encontrava algo ruim, muito ruim mesmo. Sabe-se lá como conseguiu ser publicado, e considerando que boa partes deles eram jornalistas, acho que sei como… E o que vinha de fora era sim muito melhor!

Então, queridos autores nacionais que ainda não publicaram nada, essa é a sua eterna praga!

Mas com certeza você deve acompanhar os influenciadores do instagram, do twitter, os blogueiros, os youtubers, e viram eles falando de vários autores nacionais, várias estreias, vários livros, e deve ter se animado a publicar.

E agora sim vou desanimar vocês: sabem quantos desses livros foram vendidos? Sabe qual a média de vendas de um autor nacional que ainda não tenha alcançado o “grande nome”? Ser um desses que mencionei acima?

Sabe?

Essa não é uma informação que editora alguma vai te passar, mas é de no máximo, no máximo, 100 exemplares.

É. Se ultrapassar os 100, se conseguir os 100, pode se considerar como um campeão! Excedeu todas as expectativas!

Todas essas parceiras, todo esse trabalho de marketing, tudo isso foi resumido a muito trabalho em troca de uma micharia de vendas. O motivo: os leitores sabem que toda essa divulgação é patrocinada, e também livros nacionais de novatos costumam ser mais caros. Contudo, o motivo maior é a tal da síndrome de vira-lata: nem precisa olhar para saber que se é brasileiro, é ruim. Então para o que ler um autor nacional, ainda mais um desconhecido se tem tantos gringos por aí?

Tem algo que nunca, mas nunca vou me esquecer: no dia que comecei a pesquisar os endereços das editoras para mandar minhas originais (para quem não sabe, é o nome que se dá ao manuscrito de um livro que não foi lançado ainda), vi o anúncio da tradução de um livro que ainda nem tinha sido lançado na sua língua nativa ainda, de uma novata que nunca publicou nada antes. Vinda de uma das maiores editoras do Brasil. Era um livro extremamente lido, com ótimas criticas, de uma autora que pelo menos era reconhecida? Não, era um livro estrangeiro. E essa para mim vai ser para sempre o melhor retrato da literatura juvenil, para jovens adultos, do meu país.

Vou contar algo agora que talvez o(a) surpreenda. Esse não é um post de despeito de uma fracassada que não conseguiu ter a publicação aprovada em nenhuma editora. Muito pelo contrário, fui aprovada por mais do que uma editora. Só que no final, decidi que não queria isso para mim, ao menos no momento. Demorei um ano para tomar essa decisão, um péssimo ano aliás. Ser lançada (ainda mais na forma física, que ainda é o modo que os brasileiros mais leem) com um selo editorial.

(Na verdade eu tenho uma editora sim, mas é por demanda. Tenho o cadastro no Clube dos Autores – com o link para comprar do lado – no qual você pode comprar a forma física de A vilã da história. É caro, não recomendo para ninguém e nem eu mesma tenho uma cópia nem para falar se a qualidade é boa… Fiz só por ter. E também caso viva nos EUA, você pode comprar pela Amazon, já que é algo que eles fazem por lá para quem vende e-books. Também caro!)

Na época, enviei “O mundo sob a ótica de uma míope” para várias editoras, e também “A vilã da história” para algumas. “O mundo sob a ótica de uma míope” é aquele livro que falo que vou lançar logo, mas nunca faço isso. É porque quero dar uma boa revisada nele antes de fazer isso, além de mudar o título, mas como tenho 3 livros em andamento, agora traduzindo, uma vida normal e falta de vontade… vai demorar sim alguns anos para sair para vocês!

Claro que fui rejeitada pelas grandes, por aquelas que não publicam quase nada de nacionais, mas mesmo assim dão informações para quem quiser enviar originais para análise. E era até engraçado… a resposta de boa parte delas vinham pontualmente depois de 3 meses. Nem sei se leram a original…

Mas tiveram aquelas editoras, as chamadas indies, e aquelas editoras grandes com um certo selo, que aceitaram a publicação. E um detalhe: eu sei que boa parte desses novos autores nacionais que estão sendo publicados são por esses mesmo selos que me aceitaram… E outra parte por selos que eu nem sabia que existiam.

Só que a “coisa” não funciona como você deve imaginar. De você ser descoberto como um talento e estão dispostos a investir em você. Você foi sim descoberto como um talento, já que nenhuma editora que se preze suja seu próprio nome com algo de péssima qualidade. Só não estão dispostos a investir em você. Muito pelo contrário: elas vivem do seu sonho.

Como funciona a publicação com elas? Antigamente, você iria pagar parte dos gastos e eles publicariam, hoje é diferente. Você compraria parte da produção, 100, 200, já vi a de 500 exemplares, eles enviariam menos que isso para as lojas e lojas virtuais, e você vai recuperar o dinheiro investido só na revenda desses livros que você comprou. E ainda teria o dinheiro dos direitos autorais dos livros vendidos por eles. Tem essas parceiras para divulgar, até mesmo fazem uma sessão de autógrafos no lançamento!

Não parece uma boa ideia?

Bom… eu já tinha visto o que chamo de A Caixa antes.

É como chamo esses livros que o autor compra, de A Caixa. Eu mencionei que sendo um iniciante, sem um grande nome e ainda com esses selos não tão reconhecidos assim pelos leitores, se vender 100 exemplares já está vendendo muito. A Caixa é uma caixa que enviam para o autor desses livros que ele comprou. Mas que não consegue revender, porque ninguém quer. Desculpem-me por usar essas palavras, mas quem passou por essa experiência, deve saber que é isso: ninguém quer esses livros.

Já vi sim um autor com uma caixa enorme do lado, cheia de livros, tentando vender. É por isso que tem tantos giveaways, tantas promoções vindas diretamente desses autores nacionais. Eles estão com A Caixa em casa.

Claro que diversos autores começaram assim e agora estão lá, no alto. A minoria. A maioria termina com A Caixa. E sabem quanto que A Caixa custa? Quando consultei, foi antes da inflação, a mais barata custava R$7.000, a mais cara custava R$10.000. Para poucos, esse vai ser o melhor investimento da sua vida, para outros, muito dinheiro jogado no lixo.

Eu sempre fui pé no chão em relação a minha carreira de escritora. Sempre escrevi por prazer, no meu tempo livre, e nunca imaginei ser exclusivamente escritora. Não aconselho ninguém a planejar uma carreira exclusiva como escritor, isso talvez seja algo que vá acontecer na sua vida. Muito menos imaginava que seria uma grande fonte de renda para mim. E com esse pensamento, não peguei meu dinheirinho ralado da poupança, não fiz um empréstimo, simplesmente desisti de publicar em uma editora.

Tive esse pensamento: o que quero não é ganhar pelo meu trabalho, e sim que as pessoas leiam o que eu escrevo. Talvez um dia eu faça um nome para mim mesma e consiga publicar numa dessas editoras, serei comprada, mas é só uma possibilidade. Foi assim que decidi lançar A vilã da história de graça e colocar depois o preço de A fada desencantada no valor mínimo.

O resultado? Nessa semana fiz as contas. Dentre os livros baixados de graça e os comprados, já distribuí mais de 2.500 exemplares. Algo que nunca, nunca mesmo conseguiria realizar se eu entrasse em uma dessas editoras que me aceitaram. Não ganhei quase nada com isso, mas realizei o meu sonho de ser escritora. Eu publiquei um livro, mesmo que no formato digital, fiz todas as edições, a editoração, as capas, tudo amador. Eu me considero uma amadora.

E tenho mais de 2.500 leitores. No gênero fantasia, que não é tão popular quanto um romance. Logo a primeira parte da tradução em inglês será publicada. Na Amazon, antigamente eu sempre estava entre os 500 mais baixados, agora costumo ficar entre os 1000 mais baixados. Quase nunca saio dos 100 mais baixados da sessão de literatura infanto-juvenil.

Mas nunca tive um grande retorno do meu trabalho. Nunca pedi por resenhas, e também nunca as recebi. Tenho as informações de que meus livros são lidos, mas ninguém fala o que achou.

Missão cumprida. Nenhum arrependimento.

Talvez se eu tivesse publicado em uma editora eu estaria em um lugar diferente. Estaria naquele topo. Mas acho que para mim, ainda não é hora para isso. Talvez nunca seja a hora.

Não tenho nada contra essas editoras, mas só queria que existisse um texto assim para que eu lesse quando decidi que tinha que publicar um livro. Teria evitado o desperdício de dinheiro de imprimir originais o de enviá-las para o correio. A ansiedade de receber uma resposta. De ter de fazer certas reflexões. Queria que tivesse alguém que me falasse que seguir esse caminho sozinho, sem pretensão nenhuma, também era uma possibilidade. Que me alertasse dos riscos.

Para aqueles que querem publicar um livro, o que deixo é um “pare e pense no que está fazendo”. Você escreveu um livro porque tem um sonho de ser um escritor, um sonho. Você deve estar com medo do fracasso, ao mesmo tempo em que está esperançoso pelo sucesso. Pare e pense o que você quer fazer com esse livro. Se o seu desejo é ter ele impresso em suas mãos, se é ser uma grande estrela da literatura, se é como eu, que algumas pessoas leiam o que você escreveu.

Você está lindando com um sonho. O seu próprio sonho. Um sonho que depois de colocado no mundo, depende de outras pessoas para que se concretize.

Só pare e pense no que você quer. Talvez você perceba que quer é um Wattpad. Ou então a Amazon e a Smashwords, como eu. Não uma editora.

Esse não é um post dedicado denunciando editoras, falando para que você não publique seu livro em uma, muito menos contra as editoras. É só uma reflexão sobre a decisão de usar ou não o serviço de uma em um momento. As editoras estão aí para isso: publicar livros e auxiliar escritores!

E como esse é um post dedicado aos escritores novatos, você já cadastrou seu livro na Biblioteca Nacional? Não precisa de advogados (se bem que alguns ganham a vida fazendo isso), basta entrar no site, baixar um formulário de cadastro, emitir uma GRU e pagá-la, imprimir seu livro, rubricar todas as páginas e enviar para a Biblioteca Nacional. Com isso, os seus direitos autorais estão garantidos!

Um comentário sobre “Porque decidi NÃO publicar em uma editora

  1. Édi Ribeiro disse:

    Descobri que a editora com a qual vou lançar meu livro (já paguei metade do valor proposto para uma parceria) não faz revisão coisa nenhuma. Ademais, quando recebi o material com copidesque, não havia NADA realizado. Vou cancelar a revisão e não pagar por ela.

    Curtido por 1 pessoa

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