Resenha: Vitamin, Life, Limit e Hope, por Suenobu Keiko

Esse é um post em comemoração da parceira com Otaku Nya Scanconforme anunciado.

Sim, essa é uma resenha de váááárias obras ao mesmo tempo. Todas da Suenobu Keiko. Ela é uma dessas mangakas que eu lembro pelo nome, e não pela obra. E considerando que não costumo me lembrar nem do nome das pessoas ao meu redor, isso é um elogio.

E várias obras dela tem publicação em português no Brasil. Crianças, bastam procurar no google para achar um lugar que venda! Ou clique nos links (e sim, eu ganho parte do que você gastar se você comprar por ele, e agradeço aos poucos centavos!)

E com a associação que eu fiz para que A encantadora cortesã: Mei Gongqing também fosse disponibilizado no Otaku Nya Scan, decidi dar uma olhada no scanlator. Já fazia algum tempo em que não lia um mangá, não por não gostar mais. Só que a vida de um nerd é marcada por um arrependimento: você nunca vai ter tempo na sua vida para ler, ver e assistir tudo o que gostaria, já que a vida é curta e os lançamentos e clássicos são muitos. Agora estou mais voltada para a leitura do que para mangás. E considerando que boa parte daquilo que eu queria ler não é traduzida ou tem uma tradução leeenta, estava realmente há tempos sem tocar em um mangá.

Caso você seja uma dessas pessoas que acham que mangá é coisa infantil, é uma maneira de expressão artística como qualquer uma outra, com uma variedade de conteúdo enorme. Há alguns anos mesmo vi uma reportagem na televisão, no qual estavam falando sobre mangás para a meninada, e no fundo apareceu vários mangás de Gantz. Se você não gosta de coisas pesadas MESMO, não leia Gantz… Se você tiver um filho menor de idade, não dê Gantz para ele ler!

E me deparei com uma ilustração que para mim tem um estilo bem especifico na sessão de obras deles. O título era uma palavra. Já reconheci que era um mangá da Suenobu Keiko e fiquei toda ‘Porra! Não acredito que estão traduzindo Hope para português‘. É porque tinha confundido com Vitamin, e então fiquei ‘Porra! Não acredito que tem um mangá novo da Suenobu Keiko‘. Novo de 2015, mas eu disse que estava há um tempo sem acompanhar o mundo dos mangás…

Se você achou que esses ‘porras’ foram muito, não aconselho ler nada da Suenobu Keiko. Mas… faço uma ressalva para Hope, que depois explico.

Ela é uma mangaka não novata, mas também não com a experiência de décadas, mas já premiada já no seu segundo trabalho, Life. Dois dos seus mangás foram transformados em dramas, Life e Limit. Life é tão bom que logo no primeiro capítulo, a rede transmissora recebeu mais de 100 reclamações sobre o conteúdo ser impróprio (não encontrei de novo as notícias daquela época, mas eu juro que vi essa reportagem. Eram 200 e tantas reclamações, se não me engano…). E o mais importante sobre ela: ela é uma especialista em bullying. Poucos conseguem retratar o bullying como ela.

Ela é bruta nas suas histórias, acho que uma das mangakas shoujo mais brutas que já vi. Só perde para a série Deep Love nesse quesito, na minha opinião. O bullying que ela apresenta é bruto, cruel de verdade, ela não tem medo de mostrar cenas de sexo que não sejam românticas nun shoujo, não se importa em colocar uma prostituta como mocinha… E no meio de tudo isso, ela consegue criar uma empatia com o leitor.

Tudo começou com Vitamin, de um único volume, que li depois de alguns capítulos de Life. Até fiz uma pesquisa agora para saber se é uma autobiografia dela, esse mangá. É a impressão que dá, de que ao menos algumas partes sejam verdadeiras, já que tem um tom tão pessoal. Uma protagonista com o sonho de virar mangaka e tem suas obras rejeitadas é bonitinho. Mas colocar essa mocinha para fazer sexo oral com seu namorado e ser pega, e ser ridicularizada e sofrer as consequências disso, isso já não é aquele shoujo bonitinho que me falaram que era…

Vitamin me faz lembrar das vitimas de pornografia da vingança, algo que não era tão comum assim na época do lançamento, ao menos no Brasil. O ser lembrada e julgada por todos ao seu redor pela sua sexualidade da pior forma possível. Em um mundo no qual uma mulher é valorizada por não parecer rodada, há poucas experiencias piores do que essa que uma adolescente pode passar. E sentimos a dor da consequência de tudo.

Então entramos com aquela que deve ser a sua maior obra, Life. Outra obra brutal. O nome da antagonista, Manami, é algo que até hoje me lembro de tão vaca que ela era. Life é como uma versão longa de Vitamin, também tratando de bullying de forma bruta e (talvez) exagerada. Nunca vivi no Japão, não sei a realidade para saber o que é considerado como o bullying extremo, mas deve ser o que acontece nesse mangá. Logo no começo, a protagonista, Ayumu, já é vitima de algo que ela não fez: como tinha dificuldades nos estudos e queria ir para a mesma escola que sua melhor amiga inteligente, ela pediu para ela para que a ajudasse nos estudos. Aqueles ao redor da sua amiga foram contra, dizendo que iria atrapalhar seu rendimento, mas a amiga ajudou assim mesmo (e um detalhe: uma das melhores maneira de aprender mais sobre algo é ensinando alguém, então essa amiga deveria estar era se beneficiando por ajudar Ayumu). Logo Ayumu melhorou as notas, mas as notas dessa amiga caíram. O resultado disso foi que Ayumu entrou naquela escola, a amiga não conseguiu, e por isso tentou suicídio. E imagina quem que culparam?

Nessa escola, na qual não conhecia ninguém, logo acabou ficando amiga de uma das garota mais populares, Manami. Manami era popular, bonita, rica, boazinha e com um namorado. Basicamente, invejável. Devido a um desentendimento, no qual Ayumu tentou ajudar na relação da sua amiga e do seu namorado, Manami confundiu as intenções dela como quem estava interessada no seu namorado e a sua verdadeira personalidade apareceu. Basicamente, Manami era uma garota cruel que sentia prazer em torturar as pessoas, e tinha encontrado a pessoa perfeita, a fragilizada Ayumu.

Acho que essa é uma das obras dela na qual o leitor mais vai sentir o os sentimentos do protagonista durante a leitura, a distorção do antagonista. Em um momento no final, no qual Ayumu acaba sendo perseguida por vários alunos, tive a sensação de que o que via não era como a cena se passava, mas sim como ela percebia e sentia o que estava acontecendo.

Não sou uma chorona, mas esse foi o único mangá que já me fez chorar.

Então ela veio com o originalíssimo Limit. Por mais da metade do primeiro capítulo você tem a sensação que seria mais um Vitamin ou Life. Um grupo de garotas praticando bullying com outra em uma viagem. Konno é só uma garota normal, que quer fazer parte de um grupo de amigos, mas que acaba fazendo coisas que não achava certo para não ser vista como estranha. Até que o ônibus sofre um acidente, capota em uma montanha e morrem. Não todos, mas a maioria sim. A que parecia que seria uma das protagonistas, sim, essa morreu. E para piorar, o motorista tinha desviado da rota, de modo que ninguém sabia onde eles estavam. No meio de uma floresta.

Então temos uma obra diferente de Suenobu Keiko, de sobrevivência! Errado! Aconteceu a pior coisa possível: aquela que sofria bullying foi uma das sobreviventes, e em uma situação caótica e de risco, aqueles que sobreviveram na qual o maior perigo não era o seu redor, mas eles mesmos. Não eram um grupo de amigos sobrevivendo, eram um grupo de pessoas que sabiam que mesmo na civilidade, que eles conseguiam ser o lixo do lixo. Limit é uma espécie de Life + Battle Royale + O senhor das moscas. Só coisas que quem é sensível a um ‘porra’ deveria ficar longe.

Um grupo de jovens que foram obrigados a sobreviver, com a dor e a felicidade da morte de amigos e inimigos nas costas e com uma vida fora daquela situação. Todos os personagens são bem construídos, suas motivações, seus sentimentos.

E agora ela aparece com uma obra nova, Hope. Ainda a tradução está no começo, mas já vemos o melhor de Suenobu Keiko…. BULLYING! Porém, pelo que parece, essa é a obra mais suave dela nesse quesito. Ou pelo menos ela ainda não mostrou o que queria… É uma história de uma garota que gosta de desenhar mangás, mas tem vergonha disso e tem medo do que achariam dela se descobrissem isso, por isso esconde. Tem uma professora que também acaba praticando. Uma das observações que adoro fazer: eu entendo que essa professora até em alguns momentos tem boas intenções, mas ela é do tipo de pessoa que não deveria estar na profissão dela porque não consegue lidar com certas situações como deveria. Revelar seu sonho é uma grande mudança para ela. Como as pessoas reagiriam, como seus amigos reagiriam? Ela seria considerada como uma esquisita? Muitas perguntas já começam a permeá-la só para começar.

Basicamente, esse mangá é ‘se Bakuman fosse escrita pela Suenobu Keiko’. Parece que vai ser mais do que um shoujo ambientado em uma escola, e sim voltado para disputas internas entre mangakas nas editoras. Diria que é esse o mangá que tem o tom de autobiografia dela!

 

Em suma, se é Suenobu Keiko, leia!

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