Viagem no tempo, transmigração ou reincarnação? – Saiba mais sobre esses gêneros

(Esse post foi feito com o intuito de facilitar a leitura de ‘novels’ asiáticas. Faz parte de uma série de posts. Acesse a sessão de TRADUÇÕES desse blog para ler os demais posts)

imagem retirada blogs.wsj.com

Esse é um post pé lançamento da tradução do livro A encantadora Cortesã, no qual vou falar um pouco mas do gênero desse livro. Também será um adiantamento de explicação de um outro livro que estou esperando a autorização para que eu traduza (me mandem energia positiva!).

E o gênero é viagem ao tempo.

Eu sempre gostei, desde que tive contato com a primeira obra desse tipo, de ler e assistir algo que envolva viagem no tempo. Tem algo sobre ir de um momento histórico para o outro que me fascina, ainda mais quando o protagonista seja alguém do nosso presente. Creio que tenha haver com uma identificação nossa com o personagem, o que faz com que uma obra de época assim seja mais atrativa do que uma simples obra de época.

Eu nunca vivenciei o passado e o futuro, o que posso fazer são conjecturas de como eram essas pessoas, mas sempre como longe de mim, porém ainda assim humanas. Basta ver a diferença do modo de pensar da minha geração (que está na casa dos 20 anos) com a dos nosso avós, pais, e filhos. Imagine isso há mais gerações ainda!

É o clássico pensamento de que “se eu tivesse nascido no Brasil Colônia/Império, eu seria um abolicionista, escravidão é algo horrível e somos todos humanos.” Dependendo de quem você nascesse, e da época em que nascesse, teria vivências bem diferentes das que tem hoje, assim teria ideias diferentes da que possui hoje. O ser um escravo e um ter um escravo, ou ainda a definição de brancos e negros, teriam significados diferentes do hoje em dia. Você, se nascido naquela época, provavelmente não teria a mentalidade de um humano do século XXI.

Ou vamos falar de algo mais leve (porque não tem nada mais pesado na nossa história do que a escravidão, política da qual até hoje sofremos as consequências). Vamos falar sobre namoro e casamento. O que muitos romances de época apresentam como corte (isto é, a arte da paquera recatada), não é nada mais nada menos do que atos extremamente escandalosos para a época.

E eu, como a chata do historicamente correto, tenho birra de muitas obras históricas por causa disso. Querer colocar o século XXI nos lugares que não são XXI. E nisso vem o gênero viagem no tempo. Se eu, como habitante do século XXI tenho valores e crenças baseadas no meu momento histórico, o que me agradaria numa obra de época é ver alguém com quem eu consiga me identificar encontrar-se em situações na qual para mim são apenas histórias que já aconteceram.

Viagem no tempo (mais conhecido pelo nome em inglês por aqui, time travel) é um gênero simples de ser entendido. Trata-se de uma ficção científica, o que é um nome que acho ruim. Para o que tem que colocar ciência no meio disso? Voltando ao assunto, viagem no tempo quando um personagem, intencionalmente ou não, por qualquer meio, encontrará-se na história deslocado do seu presente para outro momento. Por meio de máquinas, magias, raios, morte, mas mudou o lugar. Nisso pode ser a distância temporal que varia de segundos a milênios.

Nessa questão temporal, já podemos extrair dois subgêneros, vamos assim dizer. O protagonista pode se deparar com a sua própria existência quando o espaço de tempo percorrido é curta. Assim, teremos histórias nas quais o tal patagonista viverá em um momento que é semelhante ao seu presente, assim reconhecível. Ao mesmo tempo, os personagens e situações também são reconhecíveis, sendo só encaradas pelo ponto de vista de alguém que viveu uma certa vida. Seria uma história na qual se pode mudar o próprio passado, ou então o próprio futuro? Conhecer algumas facetas sobre a própria vida da qual é desconhecida?

Agora, o que mais tem no mercado são viagens ao tempo realizadas há uma longa distância. Já não estamos falando em conhecer seus pais ou filhos, e sim nem ter contato com eles, e se tiver, serão os tatatatataravôs e os tatatatataranetos. O ser colocado de algum momento para outro distante. E diria que são nesses momentos que há a verdadeira magia do gênero. O “como uma pessoa – como eu – agiria nessa época?”. Aquilo que já tinha mencionado.

Como esse é um post de divulgação de um livro, agora sim vem o que quero falar.

Caso você tenha interesse nesse tipo de livros, assim como eu, você deve ter buscado tudo no mercado que é conhecido sobre viagem ao tempo. O que não é um material tão vasto assim, e que já deve ter lido tudo e agora espera que um autor poventura escreva mais um livro a respeito. Para a sua alegria caso saiba inglês (e agora pelo menos um livro caso fale português, A encantadora Cortesã), saiba que tem um mercado com uma grande produção literária, que mais ou menos metade dos livros que tem uma ambientação de época é sobre viagem ao tempo.

É sério, pelo menos metade dos livros de época produzidos na China são de viagem no tempo. Mas recebem nomes diferentes.

A ideia de uma pessoa ser transportada do presente para o passado no próprio corpo não é comum, mas existe. Contudo, o que domina o mercado são os gêneros de transmigração e reincarnação. E esqueça o espiritismo, não tem nada haver com essa religião.

Digamos que uma forma de enredo acabou sendo compartilhado com vários autores e criaram seus lugares comuns. Assim nasceram esses gêneros.

Vamos começar com o gênero de reincarnação, já que é o de A encantadora Cortesã. Trata-se da ideia popular de voltar ao passado e concertar os seus erros, mas feito com pessoas que merecem ter essa segunda chance. Geralmente, protagonistas que tiveram vidas horríveis (confiaram nas pessoas erradas, desconfiaram das pessoas que deveriam confiar, fez escolhas erradas, não sabia de certos segredos), morrem sempre de uma forma condizente com o modo como viveram: horrível! Porém, logo após a morte, encontram-se ainda vivas, e dentro do próprio corpo, mas em algum momento do passado.

Em geral, vingança é a palavra chave para um enredo de reincarnação. Nesses tipos de livros, como o protagonista sofreu muito e as pessoas que ele gostava também compartilhavam do seu sofrimento, o objetivo é quase sempre se vingar da sua vida passada. Fazer com que aqueles que o usaram ou causaram algum tipo de sofrimento por pura maldade dessa vez sejam as vitimas disso. Mas também, em alguns casos, há o desejo de só ter uma vida feliz.

Alguns exemplos de livros com o tema reincarnação (aqueles que não fiz uma resenha ainda, farei um sinopse):

Agora, o outro gênero que é o realmente popular, o que vou ter que selecionar a dedo os livros para não colocar muitos. Falo da transmigração.

Esse também começa com uma morte de um protagonista. Mas em geral não é alguém que teve uma vida horrível, costuma ser um fodão (ou pelo menos uma pessoa mediana)… Morreu em seu auge, mas também acordou depois… mas no corpo de outra pessoa, em outra época, ou até mesmo em outro mundo. E o corpo dessa pessoa sim que teve a vida infeliz e que morreu injustiçada. E a história é de como esse novo hospedeiro se vinga de todos que fizeram mau ao seu corpo e triunfa no mundo. Pelo menos a maioria é assim.

De longe mesmo é o mais popular, estando ligado e todos ou outros gêneros e tipos, para todos os públicos.

Alguns exemplos:

E nesse post não dá para deixar de mencionar Transmigrada encontra reincarnado, por Xue Shan Lan (Transmigrator Meets Reincarnator ), já que é um livro que é a fusão dos dois.

Só para terminar, a popularidade desses gêneros causou um problema na China. Talvez você saiba que há alguns anos houve uma censura na televisão que proibiu a partir daquele momento a transmissão de qualquer drama que envolva viagem no tempo. Talvez você tenha achado engraçado, ter comentado sobre a idiotice da censura… mas não é. As pessoas depois da exibição do drama Bu Bu Jing Xing (o famoso Scarlet Hearts) (e que foi baseado em um livro de Tong Hua, uma das melhores escritoras da atualidade, que aliás é o único livro dela que não tem tradução em inglês por um motivo realmente misterioso) começaram a se suicidar em massa. Já deve ter percebido que em quase todos os livros que eu mencionei, o protagonista morre para então reviver. E existem pessoas que acreditam nisso. É sério, tem pessoas que acreditam em transmigração e reincarnação igualzinho o que é mostrado nos livros (e em uma série popular). É uma medida para prevenir suicídios, mesmo que oficialmente o governo tenha dado outra razão (algo sobre preservar a história ou algo assim…). Mas é uma ideia tentadora para quem tem depressão…

E essa censura ainda não chegou na internet. Caso você saiba de alguns dramas de viagem ao tempo chinês depois de 2012, eles foram feitos para a internet. Por que de maneira nenhuma Go Princess Go seria aprovada por qualquer tipo de censura!

E um comentário fora do tema: é um saco lidar com a perda de direitos de sites transmitirem séries. Sites legalizados podem ser legalizados, mas você nunca tem certeza se sua série vai continuar nele… Aconteceu agora quando eu fui pesquisar por Go Princess Go, que era licenciado pelo Viki, mas não é mais… Nesses dias fui continuar a assistir uma série no Netflix, no qual eu estava assistindo ontem e… cadê o seriado? Por isso, vá procurar por Go Princess Go por outras fontes, liguem seus adblocks para dizer não a pirataria e vivam a vida!

Só para comprovar,  foi feito um estudo científico sobre isso, no qual constou que em um público de 400 universitários, 212 acreditam que séries de TV com esse tema tem embasamento científico e 104 acreditam que pode acontecer na vida real. Os números são muito altos para que tenha um ou outro que achassem a pesquisa uma piada e decidissem mentir. E não é só lá que as pessoas acreditam em coisas que são ficção. Já ouvi relato de diversos médicos sobre os seus pacientes (principalmente aqueles que tem câncer) perguntarem sobre esse ou aquele tratamento que viram na novela, filme ou livro. É por isso que aquele “esse livro não foi baseado em pessoas ou fato reais” é importante!

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