Sobre a história de que “sexo vende”

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imagem retirada do site https://abba.es

Quero falar algo sobre a ideia de que muitos artistas tem hoje em dia sobre que para vender, precisa expressar a sexualidade. Ao mesmo tempo, não vou discordar da afirmação de que “sexo vendo”, já que… bem… vende mesmo. Só vou colocar um “sexo vende, mas…”

Lá vem a frígida resmungando!

E não, não faço parte de nenhuma seita que considera sexo como algo só para a procriação e um pecado mortal. Não, não sofro de nenhuma disfunção sexual (que para quem não sabe, também existem para as mulheres). Sou bem resolvida nesse campo, muito obrigada!

Alguém aqui já assistiu Game of Thrones? Se não, ao menos já deve ter ouvido falar, já que é o seriado mais popular da atualidade. E se já ouviu ao menos falar, deve saer que comentam sobre dragões, que todos morrem, e que tem muitas pessoas reclamando de cenas de nudez e sexo. Sim, exitem pessoas em pleno século 21 (e vou contar um segredinho: estava tão imersa no assunto que em vez de escrever século 21, escrevi sexo 21 agora 🙂 ) que reclamam de ver nudez e sexo na televisão. Mas o que faz isso acontecer?

Concomitantemente, vemos no ocidente um boom de popularidade de coisas como dramas e músicas asiáticas (eu sou uma das contaminadas), como do Japão, Coréia-é-claro-que-é-a-do-sul (já assisti um filme norte-coreano, acho que não seria popular…), China e Índia. Países extremamente conservadores na sua forma de extreterimento, que censuram mesmo. Sem falar de todo o sucesso de adaptações de contos de fadas e de quadrinhos da MARVEL (não da DC, tirando Mulher Maravilha). Não vai me dizer que não sabe que as novelas turcas começaram a fazer sucesso no Brasil? E faço a menor ideia de como estão as coisas em outros países falantes da língua portuguesa.

Estamos em pleno século 21, que não é mais o século 20. Ao menos, não é a primeira metade do século 20. Vamos falar sobre o pós e o depois da revolução sexual.

Um pouco de aula de história: antes, bem no passado mesmo, sexo era considerado relativamente natural no ocidente, o que mudou com o surgimento da burguesia e com uma rigidez da corte. A repressão chegou ao ponto no qual houve um surto de histeria durante a era Vitoriana. Depois houve um tempinho no pós guerra que as pessoas relaxaram um bocado das suas morais rígidas, os loucos anos 20. Mas depois tudo voltou ao normal, e piorou muitos anos 50. Até que nos anos 60 vieram a união do movimento feminista, do movimento hippie e de melhores formas de contracepção, o que fez com que uma parte da população pensar “uau, agora não preciso mais ser um conservador”. Isso nos EUA e na Europa, no Brasil demorou um pouco mais para isso chegar as grandes massas, ainda mais considerando a ditadura. Mas para nós, quando a liberdade veio, midiaticamente, ela veio com tudo.

Somos humanos, temos certas necessidades, e também de expressar essas necessidades. Falo da sexual. Não é que não existia, mas era velada. Acho que todos ouvem o quanto que tudo nos nossos tempos é erotizado, que nos velhos tempo não era assim, que hoje tudo é uma pouco vergonha… A verdade é que não é verdade. Se hoje vocês acham que a prostituição é algo enorme, vocês não imaginam como era há 50, 70 anos atrás. Era um mercado absurdo. Para terem uma ideia de como era bem antigamente, na época vitoriana, estimava-se que a cada 10 mulheres vivendo em Londres, 1 trabalhava como prostituta. E sobre o resto das 9 mulheres, a vida privada era mesmo privada, algo que se tem poucos registros de como eram suas vidas (tem até uma história de que os diários que as mulheres bem instituídas escreviam eram queimados quando morriam, para não deixarem rastros da sua vida). Agora imagina no Brasil, onde tradicionalmente a sociedade é mais liberal… E que depois que foi ok poder falar de sexo, exageramos mesmo.

Falo da pornochanchadada década de 70 e 80. Caso não saiba o que é, não se preocupe. Não aconselho a procurar saber o que é, e nem assistir. Pensa na pior época da produção nacional. E continuou na década de 90, minha infãncia. Posso afirmar que era exibido sexo e sexualidade há todo momento. A Taís Araújo começou a sua carreia com senas sensuas numa novela quando ela era menor de idade. Existia a lendária banheira do Gugu, que era literalmente uma simulação de sexo às 3:00 horas da tarde. E por um bom tempo, o rock nacional foi dominado pelos Mamonas Assassinas, cuja música mais popular era sobre um português participando de sexo grupal.

Ainda o grupo mais popular do momento era o É o Tchan, que em todo CD que lançavam, faziam questão de colocar uma música para as crianças ouvirem. É um parágrafo à parte. Se você não era dese época, ainda com certeza já viu um gif da Carla Perez rebolando até a boquinha da garrafa. Vou contar algo: todas as crianças adoravam o É o Tchan, todas as outras crianças da minha escola gostavam e dançavam. As crianças usavam as roupas que as dançarinas do grupo usavam. Com muito orgulho, vou dizer que eu era a que ficava no canto enquanto todas as meninas dançavam. Se você foi minha coleguinha de escola e afirmar que nunca gostou dessas coisas, você é uma grande mentirosa. Eu lembro que eu era a única excluída.

Tenho mesmo que dizer que nessa época houve um aumento nos casos de pedofilia e gravidez na adolescência. Nos anos 2000 amenizou, mas nem tanto. Ainda tenho lembranças de uma cena de nu frontal na novela Senhora do Destino… Aliás, foi nessa época que parei de assistir novelas, a última que assisti foi Sinhá Moça. Depois disso, toda vez que ligava a televisão no horário de uma novela, não sei se por coincidência, era uma cena de sexo ou então de mulheres entrando nos tapas uma com a outra. E agora já faz alguns anos que nem isso eu faço, por isso não posso garantir como esteja.

Mas assisto clips e ouço músicas atuais. E preciso dizer alguma coisa?

E na literatura, tivemos livros que são chamadas de “literatura” que estão mais para pornografia. E pelo que tenho conhecimento do que popular, houve um boom de romances com cenas eróticas cada vez mais explícitas a partir dos anos 2000, e que depois elevou para outro nível depois da popularização da série 50 tons de cinza.

Isso é de todo ruim? De maneira alguma! Vivemos em uma era de pouca repressão, na qual não precisamos esconder alquilo que é de nossa natureza.

Só que estamos exagerando?

Eu diria que sim.

Olha o título desse post: “sexo vende.” Todo mundo sabe disso, e tem a sua própria opinião sobre isso. Alguns mais conservadores acham que é uma blasfêmia, os tarados adoram, mas a população média… eu diria que suporta isso. Não no sentido de não quer, mas tem que aturar, mas sim que é indiferente, se tiver ou não, não se importa. Todas as obras que mencionei previamente (tirando 50 tons de cinza, pelo qual eu tenho a obrigação moral de zoar), continuariam a ser bons tirando o sexo semi-explícito, porque são bons por si mesmos. Ninguém quer ver uma novela, assistir a um filme, ler um livro, ouvir uma música, todos esses que não tem o principal intuito de ser pornográfico, para se excitar. Se quer isso, temos uma industria pornográfica multibilionária pronta para atender aos seus desejos.

Mas agora vou fazer uma exceção a essa regra de indiferença. É o público jovem, em especial, os pré-adolescentes. Caso você seja um, ouça as palavras sábias dessa adulta: essa vai ser a época que você VAI SE LEMBRAR COM MAIOR VERGONHA NA SUA VIDA. Aquela que vai pensar e fazer besteiras, que vai se interessar em besteiras, que vai achar que acha que já é adulto e independente, mas cuja ideia de ser adulto e independente é infantil. Aproveite bem essa época, vai ser uma das mais felizes que vai ter. Tudo piora na adolescência, e quando chegar na fase adulta, lascou!

E alguns pré-adolescentes adoram esse tipo de conteúdo. O mundo da pornografia ainda é proibido ou estranho demais (e só lembrando, pornografia é um material que só maiores de idade podem acessar!), mas tem muito interesse sobre esse assunto. E o mercado deles sabe disso. Temos sim uma Disney e derivados que fazem o possível para deixar o produto deles o mais virginal possível, mas ao mesmo tempo temos uma outra indústria que dá aos pré-adolescentes e alguns adolescentes exatamente o que eles querem. Os velhos como eu vão se lembrar da novela Rebeldes, os de agora sabem que existem funks destinados às “novinhas”.

Em suma, quando se trata de entretenimento, principalmente o material mainstream no Brasil, é sobre sexo, sexo e sexo.

E tem muita gente de saco cheio disso. Entendam, não estamos mais nos anos 60, no qual todos estão maravilhados com a nova liberdade sexual. Somos netos daqueles que experimentaram a liberdade sexual. Estamos cheios da liberdade sexual.

Agora vamos voltar ao começo do post. Cada dia mais, as pessoas estão procurando as músicas, as séries e os filmes (e tem alguns nerd de biblioteca como eu que se interessam pelos livros) de países que tem fama de serem conservadores. Para quem nunca viu, vou dar um exemplo: em um drama coreano que no máximo que tem é uma bitoca (sabe, aquele beijo rápido de boca fechada que dura menos de um segundo), a classificação hetária é de 15 ou 16 anos, se não me engano. No Brasil, seria classificação livre, com certeza! Se tem alguma notícia de um famoso usando drogas ou associado a um escândalo sexual, sua carreira não é promovida, e sim arruinada. Que jamais colocariam como começo de um clip um close de uma bunda.

E cada vez mais algumas pessoas preferem esse tipo de material a aqueles que é produzido em parâmetros bem diferentes aos quais é acostumado desde quando nascera. Isso porque estão cansados do sexo, sexo, sexo, sexo a todo momento! E repito: essas não são as pessoas frígidas ou aquelas que estão em um religião conservadora, são aquelas que procuram algo a mais. Elas querem ouvir uma música, que mesmo que não entendam nada, que tenha uma atmosfera que faça sentir legal. Quem histórias com enredo e sem apelação, querem assistir algo na televisão que não vá fazer ficar constrangido por estar junto com alguém. Querem sentir uma outra emoção que não seja excitação sexual.

E não estou falando que um é melhor que o outro, e sim que temos uma indústria do entretecimento que está saturada de pessoas que pensam que sexo vende, e fazem isso sem necessidade, e tem consumidores que estão de saco cheio disso.

Vivemos em uma época estranha. Quero terminar esse post com isso. Nossa época é muito estranha…

 

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